Apneia do sono debilita e pode até matar

Uma pesquisa divulgada recentemente pela Unifesp  revelou que cerca de 30% da população da capital paulista sofre de SAO (Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono). O distúrbio consiste na obstrução parcial ou total das paredes da faringe, o que causa interrupções na respiração e fragmenta o sono do indivíduo.
“São pausas repetidas de respiração que duram mais que dez segundos”, explica Braz Paulo Nicodemo Buzatto, otorrinolaringologista do Hospital Santa Virgínia. “É normal ter até cinco pausas por hora. Mais que isso já é considerado doença.”
Os sintomas mais comuns da apneia são o sono agitado, o ronco excessivo e a sonolência decorrente das noites mal dormidas. “É preciso atingir o estado de sono profundo e repor os neurotransmissores. Se o sono é superficial, isso não acontece”, afirma o médico.
Essa sonolência ocasiona perda de produtividade no trabalho, irritação e dores de cabeça. Além disso, compromete a memória, aumenta os riscos de enfartes e AVCs durante o sono e coloca o portador em situações perigosas.
na estrada/Segundo dados da ABS (Associação Brasileira do Sono), 30% das mortes ocasionadas em rodovias brasileiras acontecem com motoristas que dormem ao volante. “Uma vez, dormi enquanto dirigia na Rodovia dos Imigrantes. Dormi em uma faixa e acordei na outra. Podia ter morrido”, conta Alexandre Hercules, de 43 anos. Ele só foi descobrir que tinha alguma coisa errada com sua saúde quando viajou a negócios para Las Vegas, em 1995. “Um amigo que estava dividindo o quarto comigo ficou assustado. Disse que eu perdia o ar repentinamente enquanto dormia e logo voltava a respirar de um jeito estranho. Segundo ele, parecia que eu ia morrer.”
No caso de Alexandre, a apneia era resultado de uma hipertrofia das amígdalas e da obesidade. Desvio de septo, hipotireoidismo e adenoide – essa última é a principal causa de apneia em crianças – são outros fatores que podem levar ao aparecimento do distúrbio.
Eliane Follador, médica pneumologista e membro da Liga dos Usuários e Amigos da Arte Médica Ampliada ressalta que há relação entre a apneia obstrutiva do sono e outras doenças pulmonares. “Como é uma doença ligada à ventilação, quem sofre de bronquite ou efisema tem mais propensão em apresentar esse distúrbio.”
Tratamento/  Pacientes com suspeita de SAO devem passar por um exame chamado polissonografia, que monitora as fases do sono. Após o diagnóstico, o tratamento é voltado a combater a causa da obstrução. “Em alguns casos, mudanças comportamentais simples podem reduzir ou até mesmo eliminar a ocorrência deste distúrbio, tais como a perda de peso, a reeducação alimentar, a prática de exercícios físicos, a eliminação do fumo e do consumo de álcool e tranquilizantes e a correção da postura durante o sono aliado ao uso do travesseiro em altura e suporte apropriados”, explica Renata Federighi, consultora do sono da Duoflex
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