Artigos e Teses

Sono de pouca duração e apneia do sono ligados ao aumento da gordura abdominal

Um novo estudo relata que o sono curto, de menos de cinco horas, e apneia obstrutiva do sono estão associados de forma independente com a gordura visceral abdominal em adultos coreanos. O estudo constatou que a associação é particularmente forte em pessoas com sono curto e Apneia, esses são quatro vezes mais propensos a ter obesidade visceral do que aqueles sem Apneia que dormiam sete horas ou mais. Devido ao seu desenho transversal, o estudo não foi capaz de caracterizar a relação causal entre distúrbios do sono e as medidas de obesidade. No entanto, os autores concluíram que o estudo sugere um possível mecanismo de aumento dos riscos metabólicos em pessoas com a duração do sono curto e Apneia.

Sono de longa duração está associado com aumento do risco de câncer colorretal

Um estudo publicado na edição de maio da Sleep é o primeiro a relatar uma associação positiva significante entre a duração do sono longo ao desenvolvimento de câncer colorretal, especialmente entre os indivíduos que estão com sobrepeso ou roncam regularmente. De acordo com os autores, os resultados levantam a possibilidade de que a apneia obstrutiva do sono pode contribuir para o risco do cancêr. A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) pode reduzir a qualidade do sono e aumentar a sonolência, resultando em períodos de sono mais longos. Os autores também observaram que a hipoxia intermitente semelhante ao que ocorre na AOS tem sido demonstrado em modelos de animais para promover o crescimento do tumor.

Falta de sono aumenta consumo de comida e ganho de peso, alerta estudo

Dormir apenas cinco horas por noite em uma semana de trabalho com acesso ilimitado a lanchinhos pode prejudicar sua silhueta, revelou um estudo publicado esta segunda-feira. A pesquisa, conduzida pela Universidade de Colorado em Boulder, descobriu que os participantes do estudo ganharam cerca de um quilo quando colocados nesta situação.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que a falta de sono poderia provocar aumento de peso, mas as razões para os quilos não eram claras, afirmaram os autores desta pesquisa mais recente.

As novas descobertas, publicadas no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstram que embora ficar acordado por mais tempo demande mais energia, as calorias extra queimadas foram mais uma compensação da quantidade de comida que os participantes do estudo ingeriram.

— Dormir menos apenas não vai causar ganho de peso. Mas quando as pessoas não dormem o suficiente, isto as leva a comer mais do que realmente precisam — firmou Kenneth Wright, diretor do Laboratório de Cronobiologia e Sono da Universidade do Colorado, que liderou o estudo.

Os cientistas monitoraram 16 homens e mulheres jovens, magros e saudáveis, que viveram duas semanas no Hospital da Universidade do Colorado, com sono acumulado. Eles mediram quanta energia os participantes usaram contabilizando a quantidade de oxigênio que eles inalaram e a quantidade de dióxido de carbono que exalaram.

Depois que todos os participantes passaram os três primeiros dias podendo dormir nove horas por noite e comendo refeições controladas para manter o peso, eles foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo, então, levou cinco dias dormindo apenas cinco horas, enquanto o outro grupo passou o período com nove horas de descanso. Depois dos primeiros cinco dias, os grupos foram trocados. Em ambos, ofereceu-se aos participantes refeições maiores e acesso a lanches, que incluíram sorvetes e batatas fritas, mas também opções mais saudáveis, como frutas e iogurte.

Em média, as pessoas que dormiram até cinco horas por noite queimaram 5% mais energia do que aqueles que repousaram nove horas. No entanto, aqueles com menos horas de sono consumiram 6% mais calorias.

Aqueles com menos hora de descanso mostraram ter uma tendência de tomar cafés da manhã mais frugais, mas abusaram de lanches após o jantar, afirmaram os pesquisadores. Na verdade, a ingestão de comida noturna somaram mais calorias do que as refeições individuais, acrescentaram.

Os autores do estudo também descobriram que mulheres e homens responderam de forma diferente ao acesso irrestrito à comida. Embora tanto eles quanto elas tenham ganhado peso quando permitidos a dormir apenas cinco horas, os homens ganharam — mesmo com descanso “adequado” — quando puderam comer tanto quanto quiseram. As mulheres, ao contrário, mantiveram o peso quando dormiram o período “adequado”, não importa quanta comida tivessem à disposição.

+ AFP

Pesquisa Inédita relaciona sono com doenças do coração

Veja a matéria que saiu no Jornal Bom dia Brasil da Rede Globo mostrando a pesquisa que relaciona a qualidade do sono com a saúde do coração.

+ Bom dia Brasil

Genes são afetados pela privação de sono

Sono insuficiente e perturbação do ritmo circadiano são associados
com resultados negativos de saúde, incluindo a obesidade, cardiovascular
doença, e comprometimento cognitivo, mas os mecanismos envolvidos
permanecem largamente inexplorado. Vinte e seis participantes foram expostos
para uma semana de sono insuficiente (restrição de sono-condição 5,70 h, SEM =
0,03 sono por 24 horas) e uma semana de sono suficiente (condição de controle
8,50 h de sono, SEM = 0,11). Imediatamente depois de cada condição, 10
amostras de sangue total de RNA foram coletadas de cada participante,
enquanto controla os efeitos da luz, a actividade, e de alimentos, durante
um período de privação total de sono. Análise do transcriptoma revelou
que 711 genes foram para cima ou para baixo-regulado por sono insuficiente.
Sono insuficiente também reduzido o número de genes com uma circadiano
perfil de expressão a partir de 1855 a 1481, reduziu a amplitude circadiana destes genes, e levou a um aumento no número de genes
que respondeu a privação do sono subseqüente total de 122 para
856. Genes afetados por sono insuficiente foram associados com ritmos circadianos (Per1, PER2, PER3, cry2, relógio, NR1D1, NR1D2,
RORA, DEC1, CSNK1E), a homeostase do sono (IL6, STAT3, KCNV2,
CAMK2D), o estresse oxidativo (PRDX2, PRDX5) e metabolismo
(SLC2A3, SLC2A5, GHRL, ABCA1). Os processos biológicos afectados incluídos cromatina, modificação de expressão de genes de regulação, o metabolismo macromolecular, e inflamatórias, imunes e stress
respostas. Assim, o sono insuficiente afeta o transcriptoma sangue humano, interrompe a sua regulação circadiana, e intensifica a
efeitos da privação de sono aguda total. O biológica identificados
processos podem estar envolvidos com os efeitos negativos da perda de sono
na saúde, e destacar a inter-relação da homeostase do sono,
ritmicidade circadiana, e metabolismo

Sono insuficiente e perturbação dos horários biológicos são associados com problemas de saúde, incluindo a obesidade, doenças cardiovasculares e comprometimento intelectual. Os mecanismos envolvidos na relação sono-saúde permanecem largamente desconhecidos.

Vinte e seis participantes foram submetidos a uma semana de sono insuficiente e uma semana de sono suficiente. Imediatamente depois de cada condição, 10 amostras de sangue foram coletadas de cada participante. Controlaram-se os efeitos da luz, da atividade, dos alimentos, durante um período de privação total de sono.

A análise do genoma revelou que 711 genes aumentaram ou diminuíram de atividade no período de sono insuficiente. O artigo mostra que o sono insuficiente afeta as células humanas, perturba a sua regulação, e intensifica os efeitos da privação de sono total.

Os processos genéticos identificados podem estar envolvidos com os efeitos negativos da falta de sono na saúde e destacam a inter-relação da homeostase do sono, relógios biológicos e metabolismo.

Obesidade cresce nos países emergentes

Governos de países emergentes estão sendo impelidos a adotar medidas para combater o avanço da obesidade, que atingiu níveis alarmantes em economias em rápido crescimento nas últimas três décadas.

Dados inéditos da Organização Mundial de Saúde (OMS) obtidos com exclusividade pela BBC Brasil confirmam que, assim como o rápido crescimento do PIB (Produto Interno Bruno), o sobrepeso e a obesidade dispararam em países como China, Índia, África do Sul, Brasil e México.

Conhecidos no passado por dificuldade em alimentar suas populações, estes países hoje se debatem com problemas de natureza oposta – em um fenômeno que especialistas chamam de “dupla carga”.

“A forma com que calculamos o desenvolvimento econômico é simplesmente uma medida do quanto consumimos – então o quanto mais você consume, mais rico você é… e é claro que isso é ruim para ganho de peso”, disse à BBC Brasil SV Subramanian, professor de Saúde da População e Geografia da Universidade de Harvard.

No mês que vem, líderes mundiais se encontrarão na primeira cúpula de alto nível da ONU sobre doenças não-transmissíveis, que incluem obesidade, e serão exortados a adotar medidas de controle e regulamentação sobre a indústria alimentícia, assim como sistemas para identificar potenciais complicações de saúde em estágio inicial.

Epidemia de obesidade

A prevalência da obesidade aumentou em países emergentes de forma muito mais rápida que a renda, e mais rápida do que em países desenvolvidos, ao longo das três últimas décadas.

Na China, estima-se que 100 milhões de pessoas sejam obesas, comparado a 18 milhões em 2005.

No Brasil a obesidade cresce mais rapidamente entre as crianças. Cerac de 16% dos meninos e 12% das meninas com idades entre 5 e 9 anos são hoje obesas no país, quatro vezes mais do que há 20 anos.

Um em cada sete adultos mexicanos está acima do peso, proporção que fica atrás apenas dos EUA entre as principais economias do mundo.

A África do Sul, por sua vez, tem um índice de obesidade mais alto que o dos EUA – com um PIB que é um oitavo do americano.

“Vimos um aumento dramático nos níveis de obesidade em países emergentes, e este índice parece estar crescendo mais rapidamente e em meio a níveis mais baixos de PIB do que na Europa ou nos EUA há 20 ou 30 anos”, disse Tim Lobstein, da Associação Internacional para o Estudo da Obesidade (Iaso).

Embora especialistas vejam uma clara relação entre o aumento da obesidade e o crescimento da riqueza, há outros fatores para o crescimento tão rápido.

O primeiro relatório da OMS sobre doenças não-transmissíveis, publicado em 2010, afirma que não apenas a obesidade, mas também outras “epidemias” como diabetes, câncer e doenças cardiorespiratórias e cardiovasculares, estão relacionadas a mudanças da vida contemporânea.

“Doenças não-transmissíveis são causadas, em grande parte, por fatores de risco comportamentais que são relacionados a transição econômicas, urbanização rápida e estilos de vida típicos do século XXI: consumo de tabaco, dieta insalubre, atividade física insuficiente e consumo abusivo de álcool”, diz o relatório.

Economia da nutrição

No caso de países emergentes, diz Tim Lobstein, a mudança mais importante é a assim chamada “transição da nutrição”, de uma dieta com alimentos básicos para uma dieta modernisada, que consiste em alimentos de nível energético muito maior.

“Isso significa menos frutas e verduras, ou menos alimentos básicos como arroz e grãos, e mais gorduras, e açúcar e óleo. Estes vêm particularmente sob a forma de fast-food, refrigerantes”, diz ele.

A demanda por calorias acessíveis e produzidas em massa disparou em países emergentes, particularmente dentro das classes emergentes, que hoje podem gastar mais de sua renda em comida.

Mas o professor Subramanian afirma que a obesidade é um fenômeno que afeta principalmente as classes mais privilegiadas em países de renda baixa e média, e até em economias emergentes.

Em um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, sua equipe de pesquisadores das universidades de Harvard e Bristol pesquisaram dados de cerca de 530 mil mulheres adultas de 54 países de renda média e baixa.

Eles afirmam que, apesar de a obesidade ter aumentado na maioria dos países tanto entre os 25% mais ricos quanto entre os 25% mais pobres da população, o Índice de Massa Corporal (IMC) – medida do peso de uma pessoa que leva em conta a sua altura – aumentou mais nos setores mais ricos.

“Apesar do aumento do IMC não estar mais confinado a países de alta renda, o aumento continua concentrado entre pessoas de renda mais alta em países de renda baixa e média”, diz o estudo.

A Índia é um exemplo clássico de país que combina enormes desafios na área de nutrição entre sua população mais pobre, com alguns dos piores efeitos da obesidade sentidos nas classes médias.

Apesar de ter um dos menores índices do mundo – 1% em homens e 2% em mulheres em 2008, de acordo com a OMS – a Índia tem cerca de 50 milhões de pessoas com diabetes, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes.

O país fica atrás apenas da China (onde estima-se que 92 milhões de pessoas sofram de diabetes), mas especialistas estimam que os números da Índia sejam bastante subestimados.

Tim Lobstein argumenta que o aparente paradoxo está ligado às “políticas de produção e distribuição de alimentos”.

“Hoje em dia (essas políticas) são governadas por forças de mercado, e essas forças não necessariamente promovem a saúde. Elas promoverão ingredientes mais baratos e comida processada para distribuição onde houver mercado”, diz ele.

“As companhias que estão saturadas no mercado em desenvolvimento examinam agora como podem entrar em economias de renda mais baixa e ainda conseguir lucro”.

Quando líderes mundiais se encontrarem por dois dias na cúpula da ONU sobre doenças não-transmissíveis a partir de 19 de setembro, organizações de saúde pressionarão por regulamentações para controlar a quantidade de gordura, açúcar e sal em alimentos processados.

Entidades como a NCD Alliance também pedirão a adoção de medidas para aumentar o nível de atividades físicas, para impedir estilos de vida sedentários.

“Esperamos que a reunião da ONU aumente a visibilidade de doenças não-transmissíveis, ao mostrar que não se trata apenas de um assunto de saúde, mas envolve também a cadeia de produção alimentar”, afirmou uma representante do Ministério da Saúde do Brasil, Deborah Malta, à BBC Brasil. “Precisamos de políticas públicas e regulamentações não apenas para a indústria alimentar, mas também para tabaco, álcool e um número cada vez maior de setores”.

+ BBC

Estudo sugere causa para síndrome das pernas inquietas

A síndrome da perna inquieta (RLS) pode parecer ter saído de um filme de horror dos anos 50. E para alguns afetados por ela, é realmente.

Essa aflição causa um irresistível desejo de mover as pernas com freqüência acompanhado por sensações de um bicho subindo nas mesmas. As sensações só são aliviadas com movimentos, e pioram quando anoitece. Noite após noite, a insônia ocorre para milhões, que sofrem com RLS, e para seus companheiros.

Uma vez que se sabe pouco sobre o que causa a doença, pesquisadores da Penn State College of Medicine e Johns Hopkins University começaram a estudá-la. A equipe coordenada por James Connor, PhD, professor do Departamento de Neurociência e Anatomia da Penn State College of Medicine, realizou a primeira autópsia nos cérebros de pessoas com a enfermidade. Essa descobriu uma possível explicação para essa síndrome. “Nós descobrimos que embora não existam alterações patológicas únicas nos cérebros dos pacientes com RLS, parece que células na porção central do cérebro não estão obtendo ferro suficiente.” , disse Connor.

“Foi um alívio para muitos saber que não havia degeneração neurológica nem perda ou dano nas células do cérebro, como se vê nas doenças de Parkinson e Alzheimer.” , acrescentou. A descoberta de uma causa física para essa desordem estabelece-a como um problema sensorial no músculo ao invés de um dano psicológico. Visto que as células não estão perdidas ou danificadas, mas sim com deficiência de ferro, há mais esperança que tratamentos possam ser desenvolvidos.

Para o estudo, Connor examinou o tecido de cérebro adquirido da coleção de cérebro da Restless Legs Syndrome Foundation na Harvard Brain Bank. Tecido de sete pessoas com a síndrome foram examinados, e amostras de cinco pessoas sem condições neurológicas serviram de controle. Lâminas transversais da substância negra, porção do meio do cérebro, que se supões desempenhar algum papel na RLS, permitiram à equipe de pesquisa examinar as estruturas e funções celulares.

Para evitar influência, durante o exame, o analista não sabia se as amostras eram de um paciente com ou sem RLS. Embora, há muito tempo, se suspeite que a deficiência de ferro tenha alguma relação com a RLS, o estudo de Connor descobriu a ausência de um receptor específico para o transporte do mesmo nos pacientes com a síndrome. Quando esse mecanismo funciona mal, uma quantidade de ferro suficiente entra nas células do cérebro para mantê-las vivas, porém não o suficiente para que elas funcionem perfeitamente.

Essa falta de ferro pode causar uma falha na transmissão dos sinais neurais para as pernas, criando a sensação de um bicho subindo nelas. “Isso não significa necessariamente que uma pessoa tem uma dieta deficiente em ferro e precisa de suplementos,” diz Connor, “mas sim que esses receptores não estão empacotando e entregando uma quantidade de ferro adequada para as células específicas nessa porção do cérebro.” Isso explica porque alguns pacientes encontram alívio temporário ao ingerir suplementos de ferro, mas é importante que o suplemento alimentar seja medicado por um médico.

Embora não sejam aprovados pelo FDA para o tratamento da RLS, algumas prescrições de drogas que forma aprovadas para outras condições, têm aliviado temporariamente os sintomas em alguns pacientes.

Uma dessas drogas é a usada para acalmar os tremores da doença de Parkinson. A explicação para a droga ter efeito é que as células do cérebro de um portador de RLS que possuem deficiência em ferro são as células que produzem o neurotransmissor da dopamina, e a síntese dessa requer ferro.

+ Association of Professional Sleep Societies

Ronco do parceiro faz um terço das pessoas perderem 23 dias de sono

Pesquisadores da British Lung Foundation descobriram que uma a cada três pessoas perde o equivalente a três semanas de sono a cada ano por causa do ronco barulhento do companheiro ou companheira. Isso equivale a 574 horas a cada ano – ou 23 dias.

O ronco é um pesadelo para 39% dos adultos, o que faz um a cada nove casais dormirem separados por causa do problema.

Mas ao contrário do que as mulheres costumam pensar, não é só os homens que são culpados por esse hábito, apesar de ser mais comum eles ter o ronco do tipo “trovão”.

A pesquisa realizada com 2.500 adultos também descobriu que quase um quarto dos homens (24%) afirmam que não conseguem dormir por causa de suas parceiras, enquanto, entre elas 41% se queixaram de não conseguir dormir por causa do parceiro.

Especialistas alertam que o ronco alto pode ser sintoma de apneia do sono, que é a suspensão da respiração durante o sono causada pelo relaxamento extremo dos músculos e tecidos da garganta, que bloqueiam as vias aéreas.

As noites mal dormidas deixam ambos os parceiros cansados e com capacidade de concentração reduzida no dia anterior.

Falta de sono torna as pessoas exageradamente otimistas, diz estudo

As pessoas com falta de sono têm tendência a ser exageradamente otimistas antes de tomar decisões e costumam se arriscar mais do que outras, segundo um estudo americano divulgado nesta terça-feira.

O artigo, publicado na revista Neuroscience, fornece elementos de evidências científicas que os gerentes de cassinos podem constatar nas salas de jogo: após algumas horas, os jogadores seguem apostando até perderem tudo.

O estudo examinou 29 adultos voluntários com boa saúde e com uma idade média de 22 anos, a quem foi pedido que tomassem uma série de decisões de caráter econômico após uma boa noite de sono. Posteriormente, voltaram a ser questinonados depois de uma noite sem dormir.

Os pesquisadores utilizaram a técnica de Imagem por Ressonância Magnética (IRM).

Nas pessoas privadas de sono, os escâneres mostraram uma atividade mais intensa nas partes do cérebro responsáveis pelas expectativas positivas, enquanto apresentaram uma atividade pequena nas partes que tratam das expectativas negativas.

“Os indivíduos privados de sono que participaram do estudo tenderam a fazer escolhas com mais ênfase nos lucros monetários e menos nas opções que permitem reduzir as perdas”, de acordo com o estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Duke, na Carolina do Norte (sudeste), e em Cingapura.

A cafeína, o ar fresco e o exercício não são suficientes para combater os efeitos do cansaço, destaca um dos coautores da pesquisa, Vinod Venkatraman, aluno do terceiro ciclo de psicologia e neurociência em Duke.

“As pessoas que jogam até as últimas horas do dia não só contam com o azar das máquinas, mas também com seu próprio cérebro, que tem sono e, implicitamente, tem tendência a antecipar lucros e minimizar a probabilidade de perdas”, explica o especialista.

+ Neuroscience

O sono profundo ajuda a regular o açúcar no corpo

Pesquisa norte-americana mostra que a privação da parte mais profunda do sono altera o funcionamento da insulina e pode facilitar o aparecimento do diabetes tipo 2.

O sono é dividido em fases, de acordo com as ondas cerebrais e relaxamento muscular. Na fase mais profunda, as ondas cerebrais são lentas e o relaxamento muscular é mais intenso. Nesse momento, o relaxamento muscular e diminuições do ritmo cardíaco e respiratório permitem a recuperação das energias.
Para chegar à fase de relaxamento o corpo precisa passar por três etapas que vão preparando o organismo para a recuperação. Interrupções que podem tornar o sono superficial não permitem que se chegue ao estágio mais profundo.
Os problemas respiratórios e períodos muito curtos de sono são as razões mais comuns para que o corpo não possa descansar adequadamente. Até agora se conheciam os efeitos dessa falta de recuperação sobre as atividades do dia seguinte, mas não sobre o metabolismo do açúcar.
Os pesquisadores lavaram um grupo de voluntários, sadios e jovens, a um laboratório de estudos do sono. Foram submetidos a três noites bem dormidas e em seguida a um período igual de noites onde o sono não chegava a se aprofundar, atrapalhado por ruídos.

Sangue denuncia

Ao mesmo tempo em que registravam as ondas cerebrais, amostras de sangue foram colhidas depois das noites de testes para se avaliar o metabolismo da glicose.
Os resultados mostraram que apenas três noites sem a fase profunda do sono levavam à diminuição da sensibilidade das células à insulina. Essa alteração fez os níveis de glicose no sangue subirem 23%.
Essas mudanças são semelhantes às apresentadas por pessoas idosas ou indivíduos que engordaram de 10 a 15 quilos. Como o diabetes tipo 2 está associado à obesidade, que por sua vez associa-se às alterações respiratórias, é possível que essas alterações do metabolismo da glicose possam explicar essas inter-relações.

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