Cientistas descobrem gene que atua no tempo de sono
Quando o despertador toca pela manhã, as pessoas têm reações distintas. Algumas levantam dispostas e outras lamentam por não poderem dormir um pouco mais. A diferença entre as duas situações pode ser explicada pelo nosso código genético. Um estudo europeu descobriu um gene responsável pela regulação do sono: o ABCC9. Quem tem duas cópias de uma de suas variáveis costuma dormir mais do que quem tem a outra versão. Além do DNA, fatores como idade, sexo e ambiente influenciam no nosso período de sono. A pesquisa foi publicada na revista especializada Molecular Psychiatry.
A pesquisa combinou as respostas de mais de 4 mil voluntários de sete países europeus a questionários sobre os hábitos noturnos com suas informações genéticas. Os resultados mostraram que a diferença no tempo de sono entre indivíduos com um e outro tipo do mesmo gene é bem grande. “Há uma tendência genética quanto à duração do sono. Isso significa que um indivíduo que tem um tempo de sono longo, vai ter sempre um tempo de sono longo”.
Os cientistas testaram a hipótese na drosófila (mosca da fruta), que também possui esse gene em seu DNA. A ação do gene ABCC9 foi bloqueado em seu sistema nervoso. Como resultado, as moscas diminuíram seu período de sono em um tempo considerável. “Isso é muito encorajador para nós”, disse Till Roenneberg, da Universidade Ludwig-Maximilians. “Isso indica que o controle genético da duração do sono pode ser baseado em mecanismos similares em uma gama de espécies altamente diversificada”, completou.
O estudo levou em conta a variação do tempo de sono que depende do ambiente em que se dorme, sexo e idade. “O tempo de sono vai se reduzindo ao longo da vida”, explica a doutora Allebrandt.
Doenças - Além de regular o tempo de sono, o gene ABCC9 codifica uma proteína, a SUR2, que regula o potássio nas membranas celulares do corpo. “É particularmente intrigante que estudos demonstraram que a proteína codificada por esse gene desempenha um papel na patogênese de doenças cardíacas e diabetes”, afirma ainda Allebrandt. “Então, aparentemente, as relações de duração do sono com os sintomas da síndrome metabólica podem ser em parte explicadas por um mecanismo molecular comum”.
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