Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (CPAP) A pressão positiva contínua nas vias aéreas é o tratamento mais eficaz e com maior comprovação científica para a síndrome das apnéias obstrutivas do sono. Indicado para tratar apnéias pela primeira vez em 1981, CPAP –sigla para “continuous positive airway pressure”–, tornou-se um termo conhecido à partir da década de 90. O aparelho de CPAP (foto abaixo) consiste em uma turbina que, girando a uma rotação controlada, gera pressão positiva com alto fluxo. A pressão é transmitida à faringe através de uma máscara de silicone colocada sobre o nariz. A pressão positiva contínua provoca a abertura pneumática da via aérea e abole a causa mecânica das apnéias. O ajuste do aparelho deverá ser feito durante a polissonografia para quantificar ou titular a menor pressão que mantenha a passagem de ar, com o paciente dormindo em todos os estágios. Na maioria dos casos, são suficientes pressões baixas, bastante confortáveis, entre 5 e 10cmH2O, para impedir completamente o ronco e o fechamento da via aérea superior durante o sono. O CPAP resolve totalmente as apnéias se for usado no tempo total de sono. Os pacientes que, em média, usam o aparelho por quatro horas, quatro dias por semana, tornam-se assintomáticos, mas expõem-se a riscos de longo prazo que ainda não foram quantificados.

Cirurgia A cirurgia tem papel definido e insubstituível nas apnéias que são devidas ao crescimento de tonsilas (amígdalas) e adenóides. Para quem tem a garganta normal, continuam estudos experimentais para se chegar à cirurgia da apnéia que resolva definitivamente o problema. A traqueostomia é o único método que cura apnéias. Dificilmente, porém, se indica esse procedimento radical. Em crianças com aumento de tonsilas e adenóides, a cirurgia é a primeira escolha. À medida que a idade do paciente aumenta a indicação de cirurgia reduz sua utilidade, estando, no idoso, reservada a retirada de tumores. As cirurgias específicas do ronco parecem ser mais úteis até em torno dos 40 anos. Através de tecnologia moderna, a cirurgia do ronco pode ser feita com mínima dor, pelo método chamado somnoplastia. As cirurgias já tentadas para apnéias, apesar de resolverem em alta percentagem o ronco, reduzem apenas 50% as apnéias, em 50% dos pacientes. Os efeitos parecem durar por décadas, principalmente nos mais jovens.
Aparelho oral Os aparelhos orais para tratamento das apnéias do sono colocam a mandíbula para frente, abrindo espaço para a passagem do ar na garganta. A idéia é antiga e já foi usada, em 1879, por Kingsley e por Pierre Robin, em 1902. Esse pesquisador francês nascido em 1867 tornou-se conhecido por seus trabalhos em ortodontia e pela síndrome que leva seu nome, uma malformação congênita rara em que a mandíbula é extremamente pequena. O aparelho de Robin visava a permitir a respiração. Hoje, existem dezenas de modelos, mas poucos são validados com metodologia adequada. Em média, os aparelhos reduzem 50% as apnéias. Por isso, estão indicados para os casos com muito ronco, mas poucas apnéias. O paciente deve conferir a qualificação e a experência de quem faz o aparelho. São necessários anos confeccionando aparelhos até se ter um resultado confiável.

Medicamentos Antes da popularização do CPAP, o tratamento das apnéias do sono era cirúrgico ou medicamentoso. Nos últimos anos, as evidências sobre a eficácia do CPAP se impuseram, levando a menor indicação de cirurgia e medicamentos. Apesar de novas drogas estarem em desenvolvimento pela indústria farmacêutica, não existe um medicamento específico para apnéias. A indústria abandonou as caríssimas pesquisas sobre a eficácia das drogas já existentes, em busca de alguma que pudesse tratar apnéias. Hoje, reserva-se o tratamento com medicações para os casos leves ou para quem não aceita CPAP nem cirurgia. O Dr. Denis Martinez iniciou a tratar apnéias no Canadá, em 1982, e desenvolveu experiência usando tratamento farmacológico. Orientou uma tese que demonstrou que medicação reduz aproximadamente 50% das apnéias em 80% dos casos por períodos de até dois anos. Se as apnéias forem secundárias a problemas como hipotireoidismo, obesidade, menopausa ou obstrução nasal utilizam-se medicamentos voltados para essas causas com bastante sucesso. Antidepressivos, como a paroxetina, aumentam significantemente o tono do músculo da língua (Figura), mas não em todos os casos.

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