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Ronco e apneia do sono: quais as diferenças?

  • Writer: Denis Martinez
    Denis Martinez
  • Jul 28
  • 5 min read

O ronco pode parecer apenas um incômodo para quem dorme ao lado. Mas, quando vem acompanhado de pausas na respiração, engasgos noturnos ou cansaço constante, merece atenção. Entender as diferenças entre ronco e apneia do sono ajuda a reconhecer quando um sintoma comum pode indicar um distúrbio que precisa de avaliação especializada.

Nem toda pessoa que ronca tem apneia. Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas com apneia obstrutiva do sono ronca. A distinção está no que acontece com a respiração durante a noite e nos efeitos que isso causa no organismo e na rotina.

O que é o ronco?

O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos das vias aéreas superiores, principalmente na região do nariz, boca e garganta. Ao dormir, a musculatura relaxa naturalmente. Se a passagem de ar fica mais estreita, o ar encontra resistência e faz esses tecidos vibrarem.

Ele pode ocorrer de forma ocasional, por exemplo, em uma noite de gripe, alergia, consumo de álcool ou grande cansaço. Dormir de barriga para cima também favorece o ronco em muitas pessoas, porque a língua e os tecidos da garganta podem recuar e reduzir o espaço para a passagem do ar.

Em alguns casos, o ronco é primário, isto é, acontece sem pausas respiratórias significativas e sem redução importante da oxigenação. Ainda assim, roncar com frequência não deve ser tratado apenas como uma característica da pessoa. Pode afetar o descanso do casal, fragmentar o sono e ser um sinal de que vale investigar a respiração noturna.

O que é apneia obstrutiva do sono?

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio em que a via aérea se fecha parcial ou totalmente diversas vezes enquanto a pessoa dorme. Nessas pausas, a respiração diminui muito ou para por alguns segundos. O cérebro percebe a dificuldade e provoca pequenos despertares para que a pessoa volte a respirar.

Na maioria das vezes, esses despertares são tão breves que não são lembrados pela manhã. Mesmo assim, interrompem os estágios profundos e restauradores do sono. A pessoa pode passar horas na cama e acordar como se não tivesse descansado.

A redução repetida da oxigenação e os despertares frequentes exigem esforço do coração, dos vasos sanguíneos e do cérebro. Por isso, a apneia não é apenas uma questão de barulho à noite. Sem diagnóstico e tratamento adequados, ela pode estar associada a maior risco de pressão alta, alterações cardiovasculares, diabetes tipo 2, dificuldade de memória, sonolência ao volante e piora da qualidade de vida.

Ronco e apneia do sono: diferenças na prática

A principal diferença é que o ronco é um ruído respiratório, enquanto a apneia envolve episódios de obstrução da respiração durante o sono. Uma pessoa pode roncar alto e continuamente, mas manter o fluxo de ar. Na apneia, é comum que o ronco seja interrompido por um silêncio repentino, seguido de um engasgo, suspiro ou ronco mais intenso quando a respiração retorna.

Quem observa o sono costuma perceber esse padrão antes da própria pessoa. O parceiro ou familiar relata que a respiração “para” por alguns momentos, seguida por movimentos de esforço para respirar. Esse é um sinal especialmente relevante e deve motivar uma consulta.

Durante o dia, as diferenças também podem aparecer. No ronco sem apneia, pode haver desconforto social e sono menos tranquilo, mas nem sempre há sintomas marcantes pela manhã. Já na apneia, são frequentes queixas como despertar com boca seca, dor de cabeça matinal, sono não reparador, irritabilidade, dificuldade de concentração e sonolência excessiva.

É preciso considerar que os sintomas variam. Algumas pessoas não sentem sono durante o dia, mas apresentam hipertensão difícil de controlar, despertares para urinar à noite ou queda no rendimento profissional. Outras atribuem o cansaço à rotina intensa e só percebem a gravidade do problema depois de receberem o relato de quem dorme ao lado.

Sinais que sugerem apneia do sono

O ronco deve ser investigado com mais cuidado quando é alto, persistente e acompanhado por pausas respiratórias observadas. Outros sinais incluem despertares com sensação de sufocamento, sono agitado, transpiração excessiva à noite e sonolência em situações que exigem atenção, como reuniões, leituras, televisão ou direção.

Também merecem avaliação pessoas que acordam cansadas quase todos os dias, mesmo dormindo por várias horas. Mudanças de humor, perda de memória recente, dificuldade para manter o foco e redução da disposição podem ter muitas causas, mas a qualidade do sono precisa fazer parte dessa investigação.

Quem tem mais risco de roncar ou desenvolver apneia?

O excesso de peso é um fator de risco conhecido, pois pode aumentar o estreitamento das vias aéreas. Porém, a apneia também ocorre em pessoas magras. Características anatômicas, como mandíbula menor ou retraída, amígdalas aumentadas, língua volumosa, obstrução nasal e alterações na estrutura da face, podem favorecer o problema.

A idade, o histórico familiar, o uso de bebidas alcoólicas à noite e alguns medicamentos sedativos também podem piorar a obstrução. Homens têm maior frequência de apneia em determinadas faixas etárias, mas mulheres também podem apresentar a condição, especialmente após a menopausa. Em mulheres, os sintomas podem ser menos reconhecidos, com destaque para insônia, fadiga, ansiedade ou dor de cabeça, em vez de ronco muito intenso.

Crianças que roncam regularmente também devem ser avaliadas por um profissional. Nelas, o ronco pode estar relacionado ao aumento de amígdalas e adenoides, alergias ou outras alterações. Não é recomendado assumir que roncar na infância seja normal.

Por que não é possível diagnosticar apenas pelo ronco?

O volume do ronco não determina, sozinho, a presença ou a gravidade da apneia. Há pessoas que roncam muito alto sem ter pausas respiratórias relevantes e pessoas com apneia significativa cujo ronco não chama tanta atenção. A avaliação clínica considera sintomas, histórico de saúde, medicamentos, peso, hábitos e características das vias aéreas.

Quando há suspeita, o exame do sono é fundamental para confirmar o diagnóstico e definir a conduta. A polissonografia registra diferentes aspectos do sono, como respiração, oxigenação, esforço respiratório, movimentos e estágios do sono. Com esses dados, o médico identifica a quantidade e o tipo de eventos respiratórios e avalia o impacto no descanso.

Em algumas situações, exames domiciliares podem ser considerados. A escolha depende do quadro clínico e deve ser orientada por um médico do sono. O mais importante é não usar aplicativos de celular, gravações de áudio ou relatos isolados como diagnóstico. Eles podem levantar uma suspeita, mas não substituem uma avaliação adequada.

O tratamento depende da causa e da gravidade

Para o ronco ocasional, medidas como tratar congestão nasal, evitar álcool próximo ao horário de dormir, manter horários regulares e dormir de lado podem ajudar. Se há excesso de peso, a redução ponderal, quando indicada pela equipe de saúde, pode melhorar tanto o ronco quanto a apneia.

Na apneia do sono, o tratamento é individualizado. Mudanças de hábitos podem fazer parte do plano, mas nem sempre são suficientes isoladamente. Dependendo do caso, o médico pode indicar CPAP, aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar; aparelho intraoral; tratamento de alterações nasais ou da garganta; e acompanhamento de condições associadas.

Não existe uma solução única que sirva para todos. Produtos vendidos como cura rápida para ronco podem não tratar a apneia e, em alguns casos, atrasar o diagnóstico. O melhor caminho é entender a causa do sintoma antes de escolher qualquer intervenção.

Quando procurar ajuda especializada

Procure avaliação se o ronco ocorre na maior parte das noites, incomoda quem dorme ao lado ou vem acompanhado de pausas na respiração, engasgos e cansaço diurno. A consulta também é indicada para quem tem pressão alta, arritmias, diabetes ou sonolência ao dirigir, especialmente se houver ronco frequente.

Na Clínica do Sono, a investigação é conduzida de forma individualizada, unindo consulta especializada e exames quando necessários. O objetivo não é apenas reduzir o ruído durante a noite, mas ajudar você a recuperar um sono que sustente mais disposição, segurança e qualidade de vida.

Se o seu corpo pede descanso mesmo depois de uma noite inteira na cama, vale escutar esse sinal. Cuidar da respiração durante o sono pode ser um passo decisivo para acordar melhor e viver os dias com mais presença.

 
 
 

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